sábado, 1 de dezembro de 2007

OUTDOOR



Tempo esgotado, ou quase. Parece que os dias fogem da gente e quanto mais a gente tenta se agarrar a ele, mais ele escapa.
Muitos autores têm dissertado a respeito de administração do tempo. As frases mais comuns entre as pessoas: “Hoje o dia passou que eu nem vi” , “ Já é sexta-feira de novo”, “Esse ano passou e eu não fiz nada”, “Não tenho tempo pra nada”... e por aí vai.Certamente você também usa alguma que esqueci de relacionar, ou melhor nem deu tempo de lembrar.

Ando meio saudosista. Semana passada reencontrei uma amiga da época de colégio num shopping perto de casa. O tempo parece ter estacionado ali conosco. Ficamos boas horas conversando sobre o que aconteceu em nossas vidas nesses dezenove anos. Levei um susto. Passaram-se dezenove anos e ainda nos lembramos de tudo como se tivesse acontecido dias antes. E foi bárbaro. Parece que revivemos aqueles momentos e além disso, trocamos as experiências dos anos em que não tivemos notícias uma da outra. Nossas vidas tomaram rumos diferentes, alguns momentos dolorosos marcados por sofrimento e outros de alegria imensurável. Tudo ali, resumido em horas. E as imagens dos fatos todos em comum iam se somando em minha mente, como se eu pudesse com elas montar um grande outdoor. No fundo, é isso que todos nós somos e é a maneira de comunicação mais eficiente que existe. Um outdoor atinge diversos públicos, de modos diferentes, ainda que a essência da mensagem não mude.

Zelamos muitas vezes pela imagem, pela fotografia, mas a mensagem é tão contraditória que fica em desarmonia com o painel. Imagino que um outdoor possa ser qualquer um de nós de braços e coração aberto. Pronto pra mostrar aquilo que sente, que deseja, que realmente tem valor.

Não sou a favor de publicar em outdoor o que tem endereço certo. Certas mensagens são tão específicas que se lançadas a quaisquer par de olhos, correm o risco de ser incompreendidas. Portanto, atenção com o seu outdoor. Dedique seu raríssimo tempo na montagem do seu painel, coloque nele seu coração. Não generalize as mensagens, não abuse da propaganda. Deixe um espaço em branco para dar o toque final do que realmente é importante. Use imagens alegres. Imprima sua beleza particular. Coloque emoção nas palavras. A propaganda ainda é o melhor negócio. Dela depende o seu sucesso ou fracasso. O meu outdoor é transparente, e o seu ??

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

27 de Novembro - Dia Mundial da Luta Contra o Câncer




Ontem pela manhã o administrador da empresa que eu trabalho entrou no meu departamento com “uma gentileza que lhe é particular” e gritou &*$%%#$%@@@( palavrão ) PRECISO DE 2 FUNCIONÁRIOS NA PALESTRA DA CIPA AMANHÃ!!! (&¨%$#@#$%¨&* outros palavrões ) SERÁ QUE ESSE BANDO DE (*&¨%$###$%@@@**) ACHA QUE NÃO TEM NADA MAIS IMPORTANTE PRA SE FAZER?
Como sempre acontece, olhei com espanto. Não me acostumo com isso. É insuportável o vício de xingar tudo e todos. Naquele momento, tomei a decisão de participar da tal palestra só pra ele parar de falar, de gritar, e de criticar.Talvez isso seja um defeito, mas sou pacífica, fujo de confusão de qualquer tipo. Escolhi o horário da tarde por ser menos tumultuado para mim.
Confesso que num primeiro instante, também não estava muito animada. Era logo depois do almoço e eu sempre tenho tantos afazeres, mas já tinha assumido esse compromisso OBRIGATÓRIO.
Quando minha colega competentíssima na oncologia e dominando intimamente o assunto começou a falar, eu nem imaginava o que me esperava depois daquilo tudo.
Durante a sua apresentação,até por estarem presentes pessoas que não a conheciam, ela disse que ao final ouviríamos um depoimento de um paciente que estava em tratamento, o que a princípio não me chamou muito a atenção. Ledo engano.
Quando a palestra dela acabou e o paciente foi chamado á frente para dar seu depoimento, me deu um nó. Eu sabia quem ele era, estava cuidando de um exame que ele havia feito no dia anterior.
E então ele começou:
“ Há um ano e meio atrás, eu não imaginava que estaria aqui. Gostaria de lembrar que não sou palestrante. Faço parte de um grupo (AA) e estou abstêmio há oito anos. Tenho cinqüenta e três anos, trinta dos quais bebi e fumei. Aos vinte e cinco anos, percebi mudanças no meu corpo...essa doença dá sinais cedo. Não me preocupei. O tempo foi passando, às vezes eu sentia que tinha algo errado, mas o orgulho e a vergonha aprisionam. Tinha preconceito. (...) Hoje, vivo o momento mais feliz da minha vida. A doença me fez enxergar o quanto não somos nada. Uso uma sonda(para urinar), uma bolsa de colostomia e um permcath (espécie de catéter) para receber a quimioterapia duas vezes por semana. Tenho uma mulher maravilhosa . Acordamos todas as manhãs e passamos o dia rindo até a hora de ir dormir. Uso meus apetrechos para fazer piada. Rir te salva de tudo. Agradeço a Deus todos os dias por ter me mostrado a doença. Valorizo cada dia. Conheci as pessoas mais maravilhosas da minha vida por causa de uma coisa que para muitos poderia ser o fim, e pra mim, foi o recomeço. Querem saber ? Acho uma delícia vir aqui às quintas-feiras fazer quimioterapia. Estou em tratamento há cinco meses, mês que vem é o último e já estou com saudade. Não sou masoquista, apenas aprendi a ver a dor com os olhos do amor, por mim, pelas pessoas, pela vida a cada dia.”

Fiquei um tempo tentando digerir tudo aquilo. Saí de lá me sentindo pequena. Às vezes, o crescimento só se dá nessas horas. Por isso, esqueci os palavrões. Agradeci por ter sido OBRIGADA a estar lá. A verdade é que eu precisava ouvir aquilo. Talvez fosse pra mim, talvez eu precisasse contar pra alguém, ainda não sei qual foi a lição. Só sei de uma coisa... Amo hoje sem reservas. Não quero esperar doer nada pra descobrir o valor das pessoas, nem o meu próprio. Quero continuar sendo integral naquilo que digo, naquilo que sou, naquilo que sinto. Que a vida me traga suas arestas, recebo força e milagres diários para apará-las todas!

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Eu Faço o que Eu Quero!



Eu faço o que eu quero

Isso mesmo. Eu faço o que eu quero! Qual é o motivo da sua indignação?
Já vai longe o tempo que as atitudes eram ditadas por essa ou aquela modinha. Embora estejamos todos vivendo em meio a diversas “tribos”, cada um de nós deveria assumir o controle de si, ir a luta e fazer o que quer.
Qual é a razão existente em controlar uma vontade, um sentimento, uma palavra?
Tem gente que vive reclamando da vida e passa por ela de um jeito sem graça, como se o arco-íris fosse cinza. Credo!
Pois pode me chamar de louca, inconseqüente me dê o nome que quiser. Prefiro arriscar. Mais vale a experiência dolorida do NÃO da tentativa do que a dúvida do TALVEZ. A maioria das pessoas tem consciência disso, mas pouquíssima gente tem coragem de praticar.
Quando você sabe exatamente o que quer, quando decide ir buscar, implica em mudar de atitude e essa mudança muitas vezes, senão em cem por cento delas faz você ter de sair da sua zona de conforto.
Às vezes o hábito fala tão mais alto que preferimos fica ali, estáticos, vivendo rotineiramente para não por em risco a “organização” do nosso mundinho. Resultado: dias iguais, pessoas iguais e o que é pior , você igual.
Eu detesto frases feitas, mas às vezes elas até servem pra alguma coisa. Um dia desses, me lembrei de uma, daquelas que as pessoas normalmente usam como estímulo à auto-motivação (hã ??) : “ Se você continuar fazendo as mesmas coisas, continuará obtendo os mesmos resultados “.
Refletir e interiorizar isso pode te levar a mudar de atitude, de profissão (que é o meu caso), buscar conhecimento, aprender coisas novas, apaixonar-se incondicionalmente por algo ou por alguém. Vai te fazer experimentar sensações novas, sabores, emoções, que às vezes por medo pura e simplesmente te deixam a vida inteira num estado de torpor, de quase hipnose. O tempo é curto.
Existe um texto de Clarice Lispector que se chama “Mudança”, que foi usado no lançamento de um carro na década de 1990. É um dos textos mais completos e complexos que já foram escritos, por traduzir exatamente a postura pessoal diante de fatos simples que podem mudar toda uma condição de vida. Vale a pena ler na íntegra, mas aqui deixo registrado o trecho do texto que me fez pensar em mudar minha vida:
“Mude. Lembre-se de que a Vida é uma só. E pense seriamente em arrumar um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano. Se você não encontrar razoes para ser livre, invente-as. Seja criativo. E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino.Experimente coisas novas. Troque novamente.
Mude, de novo. Experimente outra vez.Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda!
Repito por pura alegria de viver: A salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena! “
A liberdade de escolha é o fator determinante entre mudar e deixar tudo como está. Dentre outras razões, esse texto nasceu a partir da menção despretensiosa da frase que lhe dá o título.
A razão pela qual eu o escrevi pode ter a devida importância somente para mim , mas , se você deseja saber o por quê, eu digo : EU FAÇO O QUE EU QUERO!