terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Tsunami




Meio complicado entender os sentimentos que emergem da alma. As oscilações de humor que nos tomam sem motivo aparente são sinal de que um turbilhão de coisas estão se movimentando sem que tenhamos controle consciente do que acontece.


E nessa onda “tsunâmica” somos arrastados para as profundezas de nós mesmos e tudo parece água, lama e escombros. Falta o ar, falta luz, falta a paciência. Falta até mesmo a compaixão que deveríamos ter pelo nosso próprio ser. Existe então um momento de paralisia. Depois do desastre é necessário planejar por onde começar a limpeza, a organização e a reconstrução da obra que se perdeu.

É preciso coragem para sair da lama e dos escombros. É preciso lavar a sujeira com a água cristalina do amor próprio.

É necessário reformular seu lugar,seu espaço, suas idéias. Reciclar o que sobrou. Colorir o cinza que a tempestade deixou.

Certa vez há muitos anos ouvi uma frase da qual nunca mais esqueci:

“ Sentir a tristeza é tão importante quanto sentir a alegria. Pois, só tem condições de valorizar um dia de Sol quem já o desejou durante uma tempestade”.

Hoje me deito com a certeza de que o Sol brilhará magnificamente para mim ao amanhecer.










quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Memória




Lembro-me com saudade do tempo da escola. Pela minha precocidade em muitas coisas, meus pais se orgulhavam quando recebiam minha carteirinha escolar recheada de notas azuis. Tinham realmente uma filha inteligente.

Aprendi a ler e a escrever muito cedo, mais cedo que a maioria das outras crianças, mas com o passar do tempo, fui tomando ainda mais gosto pelos livros e talvez por acreditar que a vida pudesse ser um conto daqueles que eu amava ler, acabei deixando o principal para depois.

Já na fase do colégio e mais tarde na faculdade, percebi que não era aquela excelência que meus pais sempre acreditaram. Continuava exemplar naquilo que me completava, mas não passava de medíocre naquilo que era essencial, mas assim eu não o via.

Os anos seguiram e meus professores às vezes impacientemente esperavam minha reação. Matemática sempre foi o meu calo mais dolorido e todas as suas adjacências como física, química, estatística e afins. Não foram poucos os apuros e tropeços.

Contudo sobrevivi aos dissabores e continuo aqui contando histórias.

Ah, como gosto delas!

Como me fascinam os livros de gente que parece ter vivido fábulas -verdadeiras -, gente que encara os desafios sem medo de dar um passo à frente, mesmo estando de olhos vendados.

As pessoas não entendem na maioria das vezes a minha indiferença à TV. Explico: não gosto de imagens prontas, gosto de criá-las segundo o que vejo e o que vejo nunca está de fora para dentro, mas faz o caminho inverso.

É um parto ao contrário. Primeiro eu vejo,depois gesto aquilo vi e transformo em palavras à minha maneira como quero que seja.

Quem escreve, o faz pelo simples fato de não ser como a maioria. Tudo, simplesmente tudo se transforma em palavras. Talvez porque passamos muito tempo em silêncio contemplando as palavras de alguém. Ou ainda, mergulhados dentro de nós mesmos traduzindo sentimentos inefáveis de um modo que se façam entender. Escrevemos as lágrimas e os risos, os desesperos e as glórias, o nascimento e o luto.


Cada um de nós sob um prisma, segundo as próprias convicções.

Peço a Deus a graça de ter sempre memória. Para dissertar sobre o que vivi de maneira a enriquecer outros viveres. E, se por acaso, essa habilidade me for furtada, que eu consiga ao menos lembrar a matemática deficiente fixada em minha mente: que me ensinou a somar amigos e amores dividindo com eles tudo o que existe e resiste em mim.


























sábado, 25 de dezembro de 2010

Sobre o Amor

Não existe amar cedo ou tarde. O amor é atemporal e existe sem medida, numa fonte inesgotável dentro de nós.

Além disso, amar é uma decisão. Requer coragem e humildade. Amar é mais que o despertar de qualquer instinto. É receber e aceitar o outro como alguém diferente de si, tendo a consciência de que traz consigo toda a sua vivência, composta pelas suas dores e alegrias; suas virtudes e limitações, sem contudo permitir que as diferenças interfiram no dom da compreensão e da incondicionalidade desse amor que é a essência verdadeira de cada um de nós.

Posso portanto afirmar, sem medo de errar:



Amo você!!!